A Busworld Europe, maior exposição de ônibus do mundo que terminou no último dia 23 de outubro em Bruxelas, mostrou que a mobilidade urbana depende do ônibus. Ele é o principal modal e representa 47% de todo o universo do transporte de pessoas em centros urbanos. O evento contou com 40 mil visitantes de 137 países e 511 expositores (dos quais 176 novos) de 37 países. O mais importante foi que todos os principais fabricantes mundiais mostraram as tecnologias que irão mover as pessoas de maneira limpa e sustentável nos próximos anos. O transporte sem poluição e seguro está muito próximo dos países da Europa e, também pode ser um sonho factível e nem tão longe dos países em desenvolvimento. O Brasil esteve representado, entre outras empresas, pela Marcopolo, um dos principais players da indústria do ônibus mundial.

As principais montadoras e encarroçadores ganham status muito além do produto e se apresentaram como verdadeiros provedores de tecnologia e não mais somente de fabricantes de veículos. O ônibus como produto não foi o principal destaque, apesar dos muitos novos modelos lançados e/ou apresentados. O discurso se concentrou nas novas tecnologias (e as vantagens oferecidas) para uma solução completa de mobilidade. Cada um com a sua própria tecnologia de powertrain de eletrificação ou hibridização. Todos criaram empresas específicas e focadas na inovação ou se associaram com outras para não dependerem de nenhum fabricante de bateria ou motorização (unidade de potência ou gerador de força). E todos oferecem a melhor solução e o melhor produto.

As grandes empresas do setor apresentaram seus modelos 100% elétricos, híbridos, plug-in e recarregáveis em rede externa, mas os produtos foram apresentados como parte de um “pacote” muito maior e mais complexo que vai direcionar toda a mobilidade urbana do futuro. O cliente não vai mais comprar ônibus apenas. Ele vai receber um pacote completo no qual o ônibus é apenas um dos diferentes componentes (não o mais importante). Gestão da frota, tecnologias das baterias elétricas, gerenciamento total dos veículos, arquitetura de toda a infraestrutura necessária para atender o cliente, como comprimento da linha, volume de passageiros, requisitos de energia, para tornar o transporte coletivo urbano uma experiência muito mais agradável, confortável, eficiente, rápida e sustentável, com zero ou quase zero emissão.

Um a um dos fabricantes destacaram suas vantagens e porque suas tecnologias são as melhores e mais indicadas para o mercado, a mobilidade e a sustentabilidade das cidades. Mas nenhum apresentou elementos suficientes para que houvesse a possibilidade de comparações. A “briga” foi mostrar o quanto as novas tecnologias permitiam baterias menores, mais leves e com recarga mais rápida. Os potenciais clientes também ganharam importância e relevância decisória. Não são mais apenas os operadores de transporte, mas sim os governos de cada cidade ou região. Por envolver muito mais do que um produto e estar diretamente ligada à sustentabilidade, à preservação ambiental e à qualidade de vidas nas cidades, os governantes estão “assumindo” o controle e são eles que vão decidir sobre qual solução a ser aplicada em sua cidade. Com isso, o poder de negociação cresceu, assim como o tamanho das contas a serem atendidas. Uma vez escolhida determinada solução de um fabricante, toda a estrutura de transporte daquela cidade será desenhada para atender aquela arquitetura, o que envolverá muito mais do que somente o ônibus (quer ele seja elétrico, híbrido, a combustão ou qualquer outra forma de propulsão)

A realidade que está sendo proposta é completamente diferente do que vimos até hoje. Os novos ônibus eletrificados (mesmo híbridos) demandam tanta tecnologia de infraestrutura como de aplicativos e gestão. E os fabricantes querem participar de tudo isso ativamente. Para cada cidade, cliente ou sistema, uma solução sob medida, desde a tecnologia de propulsão até a infraestrutura viária, passando até pelo descarte ou reaproveitamento dos veículos no futuro. O novo cenário da indústria mundial do ônibus (a mais representativa na área de transporte urbano de massa) ainda terá muitos capítulos e deverá mudar muito, em velocidade cada vez maior. Será necessário acompanhar os próximos passos para se entender realmente para que lado tenderá e seguirá. Enquanto isso não se cristaliza, vários fabricantes anunciaram contratos de fornecimento para cidades da França, Bélgica, Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos, entre muitos outros. Cada um adotando uma tecnologia e solução diferente que não envolve apenas a entrega de veículos.

 

 

 

 

 

Fonte: Secco Consultoria de Comunicação
Fotos: José Carlos Secco e Divulgação