Por Márcio Zoppi*

O terminal de direção é um componente montado nas extremidades da barra de direção, que funciona como uma articulação, ou seja um “joelho”. Quando a suspensão do veículo é movimentada, as barras de direção, que são ligadas nas mangas de eixo ou outros componentes da suspensão, tem que acompanhar esse movimento. E conseguem isso graças ao movimento de rotação do pino esférico do terminal de direção. Se os pinos esféricos dos terminais de direção não estiverem lá, as barras de direção não acompanham o movimento da suspensão e a suspensão não vai trabalhar em todo o curso para o qual foi projetada. Além disso, o terminal de direção tem papel essencial no conforto para quem está no veículo, pois seus movimentos auxiliam no amortecimento dos impactos que vem pelas rodas.

Vista em corte de um terminal de direção

Os terminais de direção usualmente são fixados nas barras de direção por meio de rosqueamento ou travamento (cravamento). A aplicação de rosqueamento ou travamento é específica para o projeto de cada veículo e deve ser respeitada no momento das reparações. Importante: ‘nunca tente reaproveitar um terminal de direção que esteja cravado em uma barra de direção (por melhor que a peça esteja). A força necessária para conseguir romper o cravamento danifica todo o conjunto.’

Os terminais de direção surgiram junto com os primeiros sistemas de direção do século passado. Nos primeiros veículos, um terminal de direção era simplesmente um pino montado embuchado alojado dentro de uma carcaça. Normalmente, a carcaça dispunha de um furo no qual era montado um conector (graxeira) que permitia que o reparador renovasse a graxa do terminal nas manutenções. Porém, essa construção mais antiga, além de permitir pouca movimentação do pino, era mais suscetível ao arrancamento do pino  – por exemplo, se na montagem foi esquecida a montagem de alguma porca -, ocasionando o rompimento da ligação da barra de direção com as rodas – o que definitivamente não é desejável quando se está dirigindo.

Conceito de um terminal de direção antigo

Ainda no passado, grande parte dos terminais de direção tinha a rosca para a fixação na barra de direção em seu próprio corpo (macho) e a barra de direção era tubular com furos roscados em seus extremos para a montagem do terminal (fêmea). Com o desenvolvimento dos sistemas de direção, verificou-se que era mais fácil e barato fazer a barra de direção sólida com a rosca em seu corpo e os terminais de direção com furo roscado em suas carcaças.

Cada veículo tem seus terminais de direção específicos, desenhados para trabalhar com aquele sistema de direção. Muitas vezes, a montagem dos terminais de direção de um determinado veículo em outro até é possível. Mas pelo fato de montarmos uma peça de um veículo em ‘X’ em um sistema de direção de um automóvel ‘Z’ é possível que características, como cambagem, retornabilidade e muitas vezes até a própria durabilidade do sistema de direção do veículo ‘Z’, sejam comprometidas(afinal a peça para o veículo ‘X’ foi desenvolvida para este veículo).

Por isso, a recomendação é para que na troca dos terminais de direção o profissional use as peças específicas do veículo que está reparando. E lembre-se: por ser uma fixação de segurança, sempre troque a porca de fixação do terminal de direção a cada retirada do mesmo do veículo.

*Márcio Zoppi é entusiasta da história do automóvel brasileiro e professor de sistemas de direção na Escola de Restauração de Veículos Antigos (www.escoladerestauracao.com.br). Graduado e mestrado em engenharia mecânica automotiva, profissionalmente ele atua a mais de 15 anos no desenvolvimento de sistemas de direção para automóveis de passeio e veículos comerciais leves

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